quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Mãe

Há um paradoxo que desafia toda e qualquer sociedade, que consiste na designação da palavra “mãe”. O termo para designar o indivíduo do sexo feminino de quem descendemos, segundo uma ordem científica, é progenitora. Mas porque será que lhe chamamos mãe? Será “mãe” uma expressão de afecto?
No fundo, todos pronunciamos a palavra “mãe” sem nunca termos pensado no que significa. Será ela dotada somente de um mero significado físico? Na realidade, somos condicionados a chamar a nossa progenitora de “mãe”. Somos como que obrigados a chama-la assim, devido ao hábito da sociedade. Mas imaginemos: se não fosse essa a nossa obrigação, iríamos deixar de chama-la “mãe”? Provavelmente não. E porquê? Talvez porque mãe não é só um nome comum, mas também uma palavra dotada de um encaixe especial.
Para mim, a designação de tal palavra é condicionada pelo nosso consciente e não por um hábito vulgar. “Mãe” é, talvez, um termo elevado a um alto estatuto. Podemos, por exemplo, compara-la com a religião cristã. Mãe é como um Deus a quem devemos obediência, que, de vês, em quando contestamos. Se assim for, a nossa vida é promulgada por dez pecados mortais, sendo eles: não desarrumes o quarto, a sala de estar, a cozinha, a dispensa, a casa de banho, o corredor, o escritório, a sala de jantar, o sótão e a garagem.
Se quisermos comparar “mãe” a um estatuto mais mundano, podemos, então, compara-la a um Estado. Afinal, a mãe tem também os seus ministérios incutidos de vários problemas: o ministério do pequeno-almoço, o ministério do almoço, o ministério do lanche e o ministério do jantar. Com tantas despesas, estará o orçamento em bom estado? Será, então, a nossa mãe, uma boa governadora? Será ela adepta do nacionalismo económico? É obvio que não, na medida em que, quando se trata do seu cidadão (filho), não olha a meios para aumentar as despesas não exigindo receber sequer uma única receita, deixando a nossa balança comercial familiar completamente desequilibrada, mas, claro, muito mais feliz.
Há ainda outra questão. Quem, senão a pessoa mais generosa do mundo, escolheria um progenitor com um nome pai? Pai deriva do latim clássico padre. Só uma pessoa que quer muito o nosso bem elevaria o nosso progenitor a um termo tão consagrado.
A conclusão a que chego depois de pensar neste assunto, é que não há sentimento superior do que o que abrange mãe e filho. É a chamada relação maternal. Na minha opinião, “mãe” é, então, o vime branco da vida de um filho, é a aresta iluminada de um cubo solto na escuridão, é a oitava cor do arco-íris, é a sexta ponta de uma estrela…de, somente, cinco pontas.